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Comércio de produtos entre vizinhos aquece economia informal

É fato que a chegada das redes sociais encurtou distâncias e, de certo modo, aproximou as pessoas. E muita gente enxergou nessas ferramentas uma forma de aumentar a renda familiar, principalmente com a multiplicação de produtos e serviços e a facilidade de divulgação por meio das mídias virtuais.

É o caso da chef de cozinha de Araçatuba, Fabiana Otoboni. Enquanto procura por um novo espaço para reabrir seu restaurante, ela não deixou o amor pela cozinha de lado. Em vez de pendurar o avental e guardar os talheres, Fabiana optou por aderir à moda do comércio de produtos entre vizinhos e, literalmente, colocou a mão na massa.

A chef faz parte de um grupo no WhatsApp formado somente por mulheres do condomínio de casas onde mora. Fabiana explica que o primeiro produto vendido foi pão integral. “A ideia inicial surgiu apenas para facilitar o dia a dia das moradoras do condomínio”. Lá, residem 135 famílias.

Hoje, o cardápio “on-line” da chef de cozinha conta com cerca de 20 opções de pratos. “E sempre tem novidade (no cardápio). Colocamos (no WhatsApp) alguns pratos que iremos fazer no dia e as clientes encomendam”, comenta Fabiana. Por dia, são vendidos de 15 a 20 pratos. “E a tendência, com a chegada das festas de fim de ano, é que esse número cresça entre 3% e 5%”, completa, afirmando que o comércio de produtos entre vizinhos é uma ótima maneira de “reforçar o orçamento”.

Orientação

Mesmo sendo entre amigos, a comercialização de produtos e serviços entre vizinhos precisa respeitar algumas regras. De acordo com o diretor do Procon de Araçatuba, Carlos Eduardo Bogar Spegiorin, o primeiro cuidado com a comercialização de produtos, principalmente de alimentos, deve ser em relação ao cumprimento das normas sanitárias, para assegurar a saúde e segurança do consumidor.

Ainda, segundo o diretor do Procon, o consumidor tem como uma das principais garantias o direito à informação. “Assim, todo fornecedor deve prestar informações claras, precisas e compreensivas sobre o produto, preço, quantidade”, completa Spegiorin.

Por fim, ele explica que a venda por aplicativos é considerada ‘fora do estabelecimento’. Sendo assim, em regra, permite o arrependimento do consumidor, com o cancelamento da compra e devolução do valor pago. “Porém, o exercício desse direito em se tratando de alimentos torna-se um pouco complexo”, finaliza o diretor do órgão de defesa do consumidor.

Pouco explorado

Para o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), nos condomínios, o comércio de alimentos, roupas e acessórios é intenso. Porém há outros segmentos que também podem ser explorados. Aulas de música, de idiomas ou de educação física, além de serviços de manicure e cabeleireiro ainda são exemplos de áreas que podem ser exploradas.

SUGESTÕES

Alimentos – A venda de alimentos, como empadões, lasanhas, sanduíches e até legumes e verduras já é uma realidade entre vizinhos nos condomínios. Para se dar bem, é preciso fazer algo que tem demanda, mas não é oferecido no local.

Serviços – Serviços como de cabeleireiro ou manicure podem facilmente ser oferecidos para vizinhos, considerando a comodidade de o profissional atender na casa do cliente.

Cursos e aulas – Professores de música, idiomas e até de educação física podem encontrar nos condomínios grupos interessados em seu serviço e um espaço disponível. É preciso conversar com o síndico e combinar o uso do salão de festas, por exemplo, para as atividades.

Cosméticos  – Com a proximidade dos clientes e a possibilidade de eles experimentarem os produtos, o mercado de venda de cosméticos tem grandes chances de vingar dentro dos condomínios. Para garantir as vendas, é preciso conhecer o gosto de cada cliente.

Roupas e acessórios – Muita gente já aposta em vender roupas e acessórios porta a porta, e com os condomínios, o público pode se multiplicar. Um dos cômodos do apartamento ou da casa, inclusive, pode virar showroom dos produtos. Nesse caso, é importante atender com hora marcada.

Da Redação

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