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Globo de Ouro celebra as mulheres e fortalece ‘Lady Bird’ e ‘Três Anúncios Para um Crime’

“Boa noite, senhoras e senhores que restaram”, diz Seth Meyers, o apresentador da 75.ª cerimônia do Globo de Ouro, realizada no hotel Hilton, na celebrada Beverly Hills, na Califórnia, na madrugada deste domingo, 7, para segunda, 8.

O palco brilha, as luzes estão acesas. Tudo como sempre. Mas Hollywood já não é mais a mesma.

Elisabeth Moss recebeu o prêmio de melhor atriz em série de drama por ‘The Handmaid’s Tale’ Foto: Paul Drinkwater/NBC

E, no monólogo de abertura do discurso do também ator e comediante, as cartas já estavam expostas na mesa. Desde 2017, o show biz passa por mudanças drásticas, a partir da força das mulheres, unidas, das acusações contra homens abusivos e poderosos desse mercado – o caso do superprodutor Harvey Weinstein é apenas o primeiro, mas, infelizmente, não foi único nem isolado.

Lady Bird: É Hora de Voar, filme de Greta Gerwig e indicado nas categorias de comédia/musical se mostrou, ao fim do primeiro grande teste, uma força a ser batida. Saoirse Ronan, a protagonista do longa, ficou com o prêmio de melhor atriz. E o filme levou a cobiçada estatueta de melhor comédia ou musical.

A atriz e apresentadora Oprah Winfrey, homenageada com o prêmio especial Cecil B. DeMille Award.  Foto: Lucy Nicholson/Reuters

Questionou-se o fato de Greta não ser indicada entre diretores. “São só homens”, cutucou Natalie Portman, ao listar os indicados na categoria vencida por Guillermo Del Toro, de A Forma da Água. A vitória de Gary Oldman, pelo papel em O Destino de uma Nação, e Frances McDormand, por Três Anúncios Para um Crime, apontam rumos surpreendentes nessa temporada de premiações. Três Anúncios… também sai fortalecido ao ser eleito melhor filme dramático.

Não é de se impressionar, quando, na primeira premiação de 2018, organizada pela Associação de Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood, sejam elas as protagonistas, mesmo quando um homem é o escolhido como apresentador. Logo de início, a primeira estatueta foi entregue para Nicole Kidman – era a sua quarta, aliás –, como melhor atriz em minissérie ou telefilme.

Fundamental para os dias de hoje, Big Little Lies é um projeto incinerado pelo protagonismo feminino criado por KidmanReese WitherspoonShailene Woodley Laura Dern. “Minha mãe foi uma defensora dos direitos das mulheres. Cada conquista minha é uma conquista dela também”, disse Nicole. “Que possamos mudar o mundo.” Big Little Lies também foi lembrada na categoria de ator e atriz coadjuvantes, para Alexander Skarsgard Laura Dern, e minissérie.

Laura, que integra o time de grandes atrizes a levar, como par para a festa, uma ativista política, foi também das mais incisivas no discurso ao microfone. “Muitos de nós foram ensinados a não batalhar”, disse ela, em favor das mulheres e das minorias.

“Foi a cultura do silêncio a ser normalizada. Eu suplico que nós não só apoiemos os sobreviventes que têm coragem suficiente não só para falar a verdade, mas para promover justiça. Mas que possamos proteger e empregar essas pessoas.”

A atriz, por exemplo, tinha consigo no tapete vermelho Monica Ramirez, uma ativista política pelos direitos das trabalhadoras rurais latinas que vivem nos Estados Unidos.

É um início de um novo ciclo em Hollywood – e ainda bem. Nas categorias dedicadas às produções televisivas – lembrando que, no Globo de Ouro, são escolhidos os melhores da TV e do cinema –, elas dominaram. Como esperado, The Handmaid’s Tale, a série baseada no romance O Conto da Aia, de Margaret Atwood, se impôs.

Era inevitável que desbancasse os blockbusters The CrownGame of Thrones e Stranger Things na disputa de melhor série dramática. É um tormento absoluto que vem da tela da TV (ou smartphones, afinal, é uma série produzida pelo serviço de streaming Hulu, ainda indisponível no Brasil) sobre um mundo que beira o nosso – mas é ainda mais catastrófico.

Nele, os Estados Unidos são comandados por um governo ultrarreligioso e quase todas as mulheres são inférteis. Aquelas que ainda são capazes de ter filhos são praticamente escravizadas, usadas para a reprodução das castas mais altas – obviamente. O que dói é perceber como esse mundo fantasioso de Margaret Atwood se coloca tão próximo daquele que vivemos por aqui.

Elisabeth Moss, que já havia sido um estouro com sua personagem forte e libertária em Mad Men – uma mulher à frente do seu tempo para a série de época –, recebeu seu segundo Globo da carreira com o protagonismo de The Handmaid’s Tale. A cerimônia do Emmy, realizada ainda no ano passado, já havia funcionado como um termômetro e era quase certa a vitória de Elisabeth.

Ao microfone, a atriz fez questão de lembrar os homens que trabalhavam na série. “É desse tipo de homem que a indústria precisa”, disse. “Esse prêmio é para você, Margaret, que teve a força para falar sobre intolerância e justiça.”

Confira, abaixo, a lista de vencedores do Globo de Ouro 2018, que será atualizada ao longo da premiação:

CINEMA

  • Melhor filme de drama
  • Três Anúncios Para um Crime
  • Melhor atriz em filme de drama
  • Frances McDormand, Três Anúncios Para um Crime
  • Melhor ator em filme de drama
  • Gary Oldman, O Destino de uma Nação
  • Melhor filme de comédia ou musical
  • Lady Bird: É Hora de Voar
  • Melhor atriz em filme de comédia ou musical 
  • Saoirse Ronan, Lady Bird: É Hora de Voar
  • Melhor ator em filme de comédia ou musical
  • James Franco, O Artista do Desastre
  • Melhor atriz coadjuvante
  • Allison Janney, Eu, Tonya
  • Melhor ator coadjuvante
  • Sam Rockwell, Três Anúncios Para um Crime
  • Melhor diretor
  • Guillermo Del Toro, A Forma da Água
  • Melhor roteiro
  • Martin McDonagh, Três Anúncios Para um Crime
  • Melhor filme em língua estrangeira
  • Em Pedaços (Alemanha/França)
  • Melhor canção original
  • This Is Me, de Benj Pasek e Justin Paul para O Rei do Show
  • Melhor animação
  • Viva: A Vida é uma Festa
  • Melhor trilha sonora
  • Alexandre Desplat, A Forma da Água

TV

  • Melhor série de drama
  • The Handmaid’s Tale
  • Melhor atriz em série de drama
  • Elisabeth Moss, The Handmaid’s Tale
  • Melhor ator em série de drama
  • Sterling K. Brown, This is Us
  • Melhor série de comédia ou musical
  • The Marvelous Mrs. Maisel
  • Melhor atriz em série de comédia ou musical
  • Rachel Brosnahan, The Marvelous Mrs. Maisel
  • Melhor ator em série de comédia ou musical
  • Aziz Ansari, Master of None
  • Melhor minissérie ou telefilme
  • Big Little Lies
  • Melhor atriz em minissérie ou telefilme
  • Nicole Kidman, Big Little Lies
  • Melhor ator em minissérie ou telefilme
  • Ewan McGregor, Fargo
  • Melhor atriz coadjuvante em série
  • Laura Dern, Big Little Lies
  • Melhor ator coadjuvante em série
  • Alexander Skarsgard, Big Little Lies
  • PRÊMIO CECIL B. DEMILLE
  • Oprah Winfrey

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