Araçatuba

Febre amarela: riscos, vacina e prevenção

Devido ao surto de febre amarela no estado de São Paulo, a população tem muitas dúvidas e a procura pela vacina contra a doença tem sido grande nos postos de saúde. Para esclarecer esses questionamentos, o LIBERAL preparou uma matéria completa para explicar a situação da doença no Estado e em Araçatuba, e orientar sobre a vacinação.

SINTOMAS E TRANSMISSÃO

A febre amarela é uma doença viral que causa dores no corpo, mal-estar, náuseas, vômitos e, principalmente, febre. Os sintomas duram em média três dias. Em alguns pacientes, o vírus da febre amarela ataca o fígado.

São as complicações hepáticas que levam as pessoas infectadas a ficar com uma cor amarelada, daí o nome febre amarela. Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que em torno de 30% das pessoas que contraem a doença podem morrer, se não forem diagnosticadas precocemente. Por isso, a recomendação é a de que o paciente deve buscar imediatamente atendimento adequado nas unidades de saúde.

A febre amarela não é transmitida de pessoa para pessoa, nem de macaco para seres humanos. Os macacos são os principais hospedeiros do vírus, mas os únicos vetores de transmissão da doença são os mosquitos silvestres Haemagogus e o Sabethes. No meio silvestre, os mosquitos picam o macaco, que depois de infectado pelo vírus pode ser picado por outro vetor e este, por sua vez, transmite para o homem.

No caso da área urbana, a transmissão ocorre pela picada do mosquito Aedes aegypti. O Ministério da Saúde ressalta, no entanto, que a possibilidade de contágio no meio urbano é remota e informa que não há registro de infecção da doença pelo ciclo urbano desde 1942. Com a construção de conjuntos residenciais e condomínios em áreas ecológicas, ambiente onde vivem os mosquitos que transmitem a doença, o risco de transmissão aumenta.

A DOENÇA NO ESTADO DE SÃO PAULO

Desde janeiro de 2017, foram registradas no estado de São Paulo 81 casos de febre amarela silvestre, com 36 mortes. Desse total, 41 casos foram em Mairiporã, na Grande São Paulo.

Além das mortes causadas pela própria doença, foram registrados três óbitos causados por reação à vacina de febre amarela. A informação foi divulgada na noite de sexta-feira, dia 19, pela Secretaria Estadual de Saúde.

De acordo com a pasta, outros seis casos de morte por reação à vacina ainda estão sob investigação. A secretaria informou que não há registro de doenças prévias em nenhum dos casos e todos eram adultos com menos de 60 anos.

“Dois deles morreram na capital, sendo um residente na zona Norte da cidade [Perus] e outro em Franco da Rocha [município da Grande São Paulo]. Ambos foram vacinados depois de outubro. O terceiro morreu em fevereiro de 2017 e residia em Matão, região de Rio Preto”, diz a nota.

FEBRE AMARELA EM ARAÇATUBA

O LIBERAL entrevistou o diretor da Vigilância Sanitária e Epidemiológica de Araçatuba, Alexandre Cândido Alves, sobre a situação da doença em Araçatuba e sobre os cuidados que a população deve tomar.

Ele iniciou a conversa afirmando que antes do surto atual no Estado Araçatuba já era considerada como uma área endêmica para febre amarela, ou seja, uma região propícia para casos da doença.

“Devido à forte presença do Aedes aegypti, mosquito que transmite a febre amarela e outras doenças para o ser humano, nossa cidade é considerada área endêmica e por isso tem a vacina incluída no calendário de vacinação”, explicou.

Dessa forma, cerca de 90% da população araçatubense está imunizada contra a febre amarela.

Além disso, Alexandre reforçou que a população não precisa se alarmar, pois Araçatuba não faz parte da área de risco. “Nós não estamos em área de risco. Nunca foi registrado caso confirmado de febre amarela na cidade. Ano passado foram notificados somente dois casos suspeitos, mas os exames foram negativos para a doença”, reforçou.

A medida que a população pode tomar neste momento é dar continuidade à eliminação dos criadouros do Aedes aegypti , para evitar a presença do mosquito que transmite a febre amarela.

“Eliminando o mosquito eliminamos a possibilidade de transmissão da doença e uma possível epidemia”, ressaltou Alexandre.

Outro alerta feito pelo diretor do VE é que a população não maltrate macacos. “Os animais não transmitem febre amarela para humanos. Eles são importantes para alertar sobre possível presença da doença na região”.

Quem encontrar macacos mortos em Araçatuba deve entrar em contato com a VE, através do telefone 3636-1180, e solicitar que o animal seja recolhido. Os agentes da vigilância irão até o local para retirada e envio de amostras para o Instituto Adolfo Lutz para análise.

VACINA: COMO PROCEDER

A febre amarela é uma doença que pode ser prevenida através de vacina que é distribuída gratuitamente à população através do Governo. Desde abril de 2017, a Organização Mundial de Saúde (OMS) excluiu a necessidade de reforço da vacina, passando a ser dose única.

Sendo assim, quem tomou a dose padrão da vacina já está imunizado. Somente as doses da vacina fracionada precisam de reforço após oito anos.

A Secretaria Estadual de Saúde realizará uma campanha de vacinação com doses fracionadas em 54 municípios localizados em áreas de risco da doença, que são a Capital Paulista, Grande São Paulo e litoral.

A campanha começará em 25 de janeiro e deve imunizar 8,3 milhões de pessoas, sendo 6,3 milhões com a dose fracionada e 2 milhões com a padrão.

Caso algum morador de Araçatuba não tenha sido vacinado, ou não se lembre de ter tomado a vacina contra a febre amarela, deve procurar o posto de saúde onde costuma se vacinar e solicitar um espelho da caderneta de vacinação.

“No cadastro da pessoa vai aparecer as vacinas que ela tomou. Caso não tenha tomado ainda, será vacinada no posto de saúde. No caso das crianças, as mães devem verificar a carteira de vacinação e, se todas estiverem em dia, não há motivo para preocupação”, explicou Alexandre.

QUEM PODE TOMAR A VACINA

Pessoas entre nove meses e 59 anos de idade, que moram ou viajam para áreas com risco de transmissão da febre amarela, seja no Brasil ou exterior, podem tomar a vacina. Quem já foi vacinado não precisa tomar outra vez.

QUEM NÃO PODE SER VACINADO

Gestantes e mulheres que amamentam crianças de até seis meses devem evitar a vacina, pois há possibilidade de o vírus afetar o sistema nervoso do feto ou do bebê.

Os bebês até seis meses também não podem receber a vacina, porque seu sistema imunológico não está totalmente formado e pode ser prejudicado pela aplicação do vírus atenuado.

Pessoas acima dos 60 anos costumam ter a imunidade enfraquecida, assim como os bebês, por isso a vacina não é indicada para elas.

A vacina não deve ser aplicada em pessoas que possuem doenças que enfraquecem o sistema imunológico, já que a falta de barreiras pode fazer com que o vírus da vacina se transforme em agressor.

Portanto, portadores de AIDS, câncer, anemia, lúpus, diabetes descontrolada, entre outras doenças, não podem receber a vacina.

Quem toma remédios que enfraquecem o sistema imune, chamados de imunossupressores, também não deve tomar a vacina. Neste grupo estão incluídos transplantados, portadores de doenças autoimunes e de câncer.

Alérgicos a ovo são outro grupo para quem a vacina da febre amarela não pode ser administrada. O vírus é cultivado na clara do ovo e pode causar reações como choque anafilático.

O QUE FAZER EM CASO DE CONTRAINDICAÇÃO

Apesar das contraindicações para diversos tipos de pessoas, existem casos de necessidade extrema da vacina, como para quem reside ou viaja para locais de risco de contaminação. Nestes casos, é necessária avaliação médica para ponderar os riscos e benefícios da vacina e emitir laudo que permita a imunização.

No caso de alérgicos a ovo, é necessário tomar a vacina em local com equipamentos adequados, que suportem a ocorrência de choque anafilático pela exposição ao reagente da vacina.

Karen Mendes

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