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Vereadores cassam prefeito de Valparaíso

Em uma decisão história para a cidade de Valparaíso, a Câmara Municipal votou, ontem à tarde, a favor da cassação do prefeito Roni Ferrareze (PV), em sessão que durou cerca de duas horas.
A saída de Ferrareze do comando do executivo municipal foi proporcionada por uma denúncia levada à Câmara pelo ex-secretário de Indústria e Comércio da cidade, Edson Jardim Rosa, o Edinho, que anexou junto à denúncia um arquivo de áudio, onde Rosa afirma ter sido convidado a fazer parte de um suposto esquema de fraudes em licitações. No caso, os lucros seriam divididos entre ele, o prefeito, e o ex-chefe de gabinete Gustavo Tonani.
Com direito à interdição da rua em frente à Câmara e com boa presença de público, quase lotando por completo o plenário que tem capacidade para aproximadamente 100 pessoas, os vereadores iniciaram a sessão com a leitura da denúncia por parte do 1º secretário da Mesa Diretora, o vereador João Pedro D´Ávila (PSC).
A denúncia passou antes por uma comissão formada por três vereadores – Carlos Alexandre Pereira (PPS), Euripedez Alvarez (PR) e José Carlos Pereira (PT) -, que por dois votos a um, votaram favoráveis ao prosseguimento no Legislativo.
Após a leitura, os vereadores Claudemir Pereira (PP), José Carlos Pereira, João Pedro D´Ávila e Manoel Messias (PV), tomaram a palavra para justificar os seus votos e em seguida o próprio Roni Ferrareze fez a sua defesa em plenário.
Na votação, o prefeito foi cassado pela Câmara por 8 votos a 3, sem nenhuma abstenção. Foram feitas duas votações. Na primeira foi votada a infração ao inciso 7, artigo 4, do decreto número 201/67, que fala em “praticar, contra expressa disposição da lei, ato de sua competência ou omitir-se na sua prática”. A segunda votação foi pelo inciso 10 deste mesmo artigo, que fala em “proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo”. Em ambas, o resultado foi de derrota para o chefe do executivo.
Eram necessários exatos 8 votos, ou dois terços de aprovação, para que a cassação de Roni Ferrareze fosse confirmada.
O vereador Claudemir Pereira, o Tureba (PP), foi um dos que votou a favor da cassação. Em conversa com a reportagem do Jornal O Liberal, ele disse que acredita que alguns secretários complicaram a vida do prefeito, porém o áudio é comprometedor. “Não tem como votar contrário, o áudio ficou muito ridículo, ficou horroroso para a população inteira. Eu sou funcionário público, operador de máquinas, se eu não voto favorável aqui a população me cobra”, afirmou Tureba.
O vereador Euripedez Alvarez, o Gugu (PR), que participou da comissão que analisou a denúncia, votou favorável e afirmou que não é possível comprovar que houve algo ilícito, mas sim que havia a intenção da prática. “Não dá pra dizer que houve corrupção, mas tinha o intuito. Foi falado no gabinete, então, com essa denúncia, achamos por bem votar favorável à cassação” explicou Gugu.
José Carlos Pereira (PT) votou contrário à cassação. Ele afirmou ter acompanhado toda a investigação, da qual foi a favor, e não achou motivo aparente para ser favorável à cassação do mandato. “Infelizmente eu acho que foi mal julgado, pessoas mal-intencionadas. Acho que para cassar um prefeito tem que ter provas concretas e isso não foi provado”, afirmou.
Posse do vice deve ser na próxima semana
O Presidente da Câmara de Valparaíso, Cido Pistori (PSDB), afirmou que não sabe ainda quando o Legislativo dará posse ao vice Lúcio Santo de Lima (MDB) e ele disse que por enquanto a cidade está sem Chefe do Executivo. Segundo Pistori, a maior possibilidade é de que a posse ocorra no início da próxima semana.
Ele afirmou não ser nada bom para Valparaíso esta situação. “Não é bom para município nenhum que isso aconteça. Mas a denúncia chegou, os vereadores acharam que deveria chegar a esse ponto e assim se decidiu”, comentou.
Roni afirma que não sabe se vai recorrer
Após a histórica cassação, Roni Ferrareze recebeu em sua casa a nossa reportagem e não confirmou ser a voz dele no áudio anexado à denúncia na Câmara. Segundo Roni, o perito, que fez a análise do áudio, afirmou não haver provas de que houve de fato uma conversa, já que foi constatado que a análise foi feita em cima de pedaços de áudio. “Eu nunca escutei esses áudios, eu li algumas transcrições e também achei absurdo. O relator, o vereador Carlos Alexandre, coloca como palavras minhas uma transcrição que está no nome de outra pessoa”, disse.
Ferrareze afirmou que não tem nada contra o ex-secretário Edson Rosa, o Edinho, autor da denúncia, e também não sabe o motivo que o levou a tomar tal atitude. “Eu quero que ele tenha sucesso na vida dele. Eu não sei o motivo da denúncia, só sei que tudo que conquistei na vida até hoje foi com muito trabalho”, afirmou.
O agora prefeito cassado de Valparaíso ainda não sabe se vai recorrer na Justiça. “Fui eleito pela maioria da população, respeito à decisão da Câmara, mas vou sentar com minha equipe, esperar que a poeira se assente e resolver de forma coesa isso daí”, finalizou.
Vice quer fazer auditoria na Prefeitura
Com três mandatos como vereador na carreira política e pronto para assumir o comando do Executivo Municipal em Valparaíso, o vice-prefeito Lúcio Santo de Lima (MDB), afirmou que já esperava a cassação, mas ainda sim ficou surpreso quando aconteceu a votação.
Ele afirma que nunca conseguiu participar da administração como planejado na época de campanha. “Eram muitas irregularidades, no começo do mandato eu tentei ajuda-lo, me aproximando da administração, mas a equipe dele não aceitou. Nesse um ano que se passou eu não tive oportunidade de trabalhar pela minha cidade”, disse.
Sobre a formação da equipe, Lima afirmou que pretende fazer mudanças em alguns setores, e citou as áreas de saúde e educação. “Está tudo parado por causa desses problemas”, disse se referindo aos problemas políticos do agora ex-prefeito.
Lúcio Lima falou que sua meta após tomar posse como prefeito é passar um pente fino no Prefeitura. Ele quer saber se há irregularidades no Executivo. “Vou reunir alguns vereadores, a assessoria jurídica, e fazer uma auditoria na Prefeitura para ver como está a real situação. Algumas coisas já estão nas mãos dos vereadores para encaminhar para o Ministério Público”, afirmou.
Lima falou também em enxugar a máquina e economizar. “A cidade está suja e esburacada. As escolas estão sujas, os postos de saúde sem medicamento. Peço a compreensão dos funcionários da Prefeitura para se aterem aos seus serviços e que tenham paciência conosco, para que em um prazo de 90 a 120 dias, possamos ter resultados na administração”, finalizou.
Como votou cada vereador
José Aparecido Pistori (PSDB) – FAVORÁVEL
Carlos Alexandre Pereira (PPS) – FAVORÁVEL
Claudemir Fernando Pereira (PP) – FAVORÁVEL
Euripedes Alvares (PR) – FAVORÁVEL
João Pedro D´Ávila Júnior (PSC) – FAVORÁVEL
José Carlos Pereira (PT) – CONTRÁRIO
José Luís do Santos (PRB) – FAVORÁVEL
Kleber Lúcio de Lima (MDB) – FAVORÁVEL
Manoel Messias de Menezes (PV) – CONTRÁRIO
Marcos Alexandre dos Santos (PRB) – CONTRÁRIO
Rodrigo Carvalho Pinho (PSC) – FAVORÁVEL

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