Araçatuba

Gás de cozinha não acompanha retomada nos postos de combustíveis

Churrasqueira e panela elétricas. Utensílios usados, muitas vezes, nos fins de semana para a preparação de uma refeição especial, nos últimos dias, passaram a fazer parte do dia a dia das donas de casa em Araçatuba e região. Quando não, são os microondas, agora utilizados com mais intensidade. A nova realidade é decorrência da escassez de botijões de gás nos postos revendedores, outra situação decorrente da greve dos caminhoneiros.

O LIBERAL REGIONAL apurou que, na maior cidade da região, há distribuidores com o produto em falta há mais de uma semana. Este é o dilema enfrentado pela comerciante Vanessa Venâncio, que tem um estabelecimento na avenida Dois de Dezembro. De acordo com ela, desde terça-feira da semana passada, um dia após o início da paralisação dos condutores de transporte de carga, sua revenda não recebe o produto. E ainda assim, diz ela, foi uma pequena carga que chegou: 20 botijões. “Acabou tudo logo e depois, não veio mais nada”, afirma Vanessa.

Desde então, a comerciante começou a conviver com uma nova situação: passar o dia atendendo telefonemas de consumidores atrás de um botijão, já que o desabastecimento é recorrente na maioria dos locais de venda. “Seu eu tivesse cinco mil botijões, acho que venderia tudo”, diz. Ela ressalta que, a cada ligação recebida, tem pedido para os clientes voltarem a telefonar no dia seguinte, na esperança de que estabelecimento volte a ser abastecido.

TUDO PARADO
Porém, está difícil prever uma normalização. A leve retomada do abastecimento nos postos de combustíveis não é acompanhada por uma melhora no setor de gás de cozinha, outro ramo bastante prejudicado com a crise.  Há uma expectativa de recebimento nesta quinta-feira, mas não está nada certo. A reportagem apurou que, só da Ultragaz, sete carretas carregados de botijões, com destino à região de Araçatuba e Três Lagoas (MS), permaneciam bloqueadas em Paulínea (SP) pelo menos até as 17h de ontem. Caso consigam sair, os veículos virão sob escolta policial. Se assim ocorrer, locais de distribuição poderão retomar, ainda que lentamente, as suas vendas.

A maioria dos estabelecimentos visitados pela reportagem ontem informou que está com seus estoques zerados desde a manhã do último sábado. E, a exemplo de Vanessa, todos aguardam, ansiosamente, por uma retomada até amanhã. Esta situação tem levado muita gente ao desespero. Nas redes sociais, várias são as mensagens de pessoas perguntando onde, na cidade, há botijão à venda. Quase ninguém sabe responder.

NAS ALTURAS
Por outro lado, no começo da semana, havia relatos de práticas abusivas em relação ao preço nas poucas lojas que ainda tinham o produto, fenômeno semelhante ao que ocorreu com alimentos e combustíveis desde o início do movimento grevista. Há moradores que dizem que, em suas consultas, chegaram a encontrar o bujão com preços que variavam de R$ 150 a R$ 200. Hoje, em Araçatuba, na média, o valor está de R$ 65 a R$ 70.

Isso pode ajudar também a explicar o porquê de os materiais elétricos estarem tanto em uso nesta semana ou, então, o fato de muitos araçatubenses procurarem fazer estoque de gás. “Deixei uma lata de 18 litros e paletes”, diz o cabelereiro Luís Fernando Marques, morador do bairro Alvorada. “Sempre dou um jeito de cozinhar”, afirma.

Arnon Gomes

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