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RACHEL SGARBOSA: MÃOS QUE AMPARAM O PRÓXIMO

Após se aposentar de uma carreira de quase 40 anos na área educacional, Rachel Foizer Sgarbosa passou a trabalhar como voluntária no Centro de Combate ao Câncer de Araçatuba, onde atua há 20 anos.
Natural de Braúna e residente em Araçatuba há 76 anos, Sgarbosa se tornou professora em 1959, ano em que conheceu seu marido, de quem hoje é viúva. Teve três filhos, sendo um médico, um engenheiro químico e uma professora, e hoje tem oito netos. Começou sua carreira sendo professora substituta na Escola Estadual José Cândido, de onde saiu para atuar na zona rural de Araçatuba. Ela viajava 20 km por dia e manteve essa rotina durante alguns anos. Posteriormente, prestou concurso do Estado e ingressou em uma escola no município de Lauro Penteado. Foi, então, transferida para Birigui e, depois, para Araçatuba, onde lecionou por anos no Instituto de Educação (IE), que foi, inclusive, onde fez magistério. Ainda no IE, chegou a ser professora dos seus três filhos, tendo saído da Instituição apenas quando houve um remanejamento e foi transferida para a escola Purcina Elisa de Almeida.
Passado algum tempo, prestou concurso para o cargo de Coordenadora Pedagógica e foi aprovada, começando a atuar na vaga ainda na mesma escola. Posteriormente, prestou concurso para Diretora Escolar, passou e foi transferida para São Paulo, onde trabalhou durante um ano na 10ª delegacia de ensino, localizada em São Miguel Paulista. Ainda como Diretora de Escola, foi transferida para a EEPSG Urubupungá, de Ilha Solteira; para Vila Lourdes; Buritama; Birigui e depois Araçatuba, onde se aposentou. “Eu fiz uma verdadeira maratona no magistério. Como minha família sempre residiu em Araçatuba, eu entrava em processo de remoção anualmente e procurava chegar mais perto daqui”, explica.
Após se aposentar, Rachel Sgarbosa continuava dando aulas particulares em casa e começou a se interessar pela área da saúde, principalmente porque seu filho é médico. Foi quando uma amiga que trabalhava no Centro de Tratamento Oncológico (CTO) de Araçatuba a convidou para se voluntariar e ela aceitou. “O CTO funcionava em uma sala, dentro da Santa Casa. No início, fiquei um pouco receosa de me tornar voluntária porque sabia que as pessoas que faziam tratamento ali estavam em momentos tristes e muito delicados. Mas, como tenho um amor muito grande pelas pessoas, decidi aceitar. E não saí mais”, conta.
Sgarbosa passou, então, a atuar na Rede Feminina de Combate ao Câncer, que hoje é a Campanha de Combate ao Câncer de Araçatuba (CCCA). Trata-se de uma entidade filantrópica, instalada no CTO da Santa Casa. “As pessoas que fazem o tratamento são cadastradas no SUS e no CTO, mas passamos a fazer um cadastro também no CCCA, por meio do qual é realizada uma triagem e se torna possível direcionar aos pacientes medicamentos e suplementos alimentares. Também oferecemos, às pessoas que fazem quimioterapia, um aparelho chamado portocath, que é inserido, por meio de cirurgia, diretamente na veia desses pacientes. Sua função é possibilitar o acesso às veias sem a necessidade ficar furando as pessoas todas as vezes que a quimio é realizada”, explica. O aparelho é buscado em Londrina (PR) e é disponibilizado tanto a crianças quanto a adultos.
Segundo Sgarbosa, ao todo, o CTO gasta, mensalmente, mais de 40 mil reais com os pacientes. “Existe um grupo de apoio que ajuda muito no arrecadamento de dinheiro, comida e remédios para os atendidos. São mulheres compromissadas com a causa de ajudar as pessoas. Para isso, elas promovem eventos e nos ajudam financeiramente, o que possibilita que continuemos o trabalho no CTO”, conta. Ela ainda explica que um evento que já se tornou tradicional em Araçatuba é uma feijoada organizada anualmente pela voluntária Lucia Gasparini Ribeiro. “Tivemos esse ano a 12ª feijoada, que nos rendeu 395 mil reais. A sociedade, os empresários, as pessoas em geral, todos cooperam. Não temos tido dificuldade em ajudar as pessoas”.
O CTO conta ainda com a ajuda de pessoas de Birigui, que doam mensalmente 500 litros de leite de caixinha. “Os pacientes passam por nutricionista, são avaliados e recebem o suplemento alimentar Ensure, além de caixas de leite”, explica. Segundo ela, paralelamente ao CTO, tem uma casa de apoio, onde os parentes acompanhantes das pessoas que fazem quimioterapia e precisam permanecer para a realização do tratamento, podem se instalar, comer e dormir. Além dessa ajuda, o CTO fornece dinheiro para passagem e transporte das pessoas que fazem tratamento em outras cidades, como por exemplo, São Paulo, Campinas, Barretos e Jales. “Tudo isso é feito a fim de tornar a luta contra o câncer possível e oferecer todo o incentivo possível para que essas pessoas busquem a cura”, afirma.
O CTO é um centro de referência regional de combate ao câncer e recebe pacientes de diversas cidades. “Contamos com cinco oncologistas, que dão um tratamento muito carinhoso aos pacientes. Um trabalho completa o outro”, afirma. Sgarbosa ainda destaca que existe, no CTO, um quadro com mensagens motivadoras aos pacientes. “A gente mostra a realidade para eles, mas também trazemos esperança. As pessoas que conseguem se curar costumam voltar muito felizes e se voluntariam para ajudar e tratar com carinho aquelas que estão enfrentando a mesma luta”, conta.
Sgarbosa trabalha com outras amigas voluntárias e vai ao CTO todas as segundas e quartas-feiras. “Junto às minhas companheiras Fernanda, Maria Gorette, Renata Rocha, Monique, Maria Tereza e Sueli, sei que faço diferença na vida dos pacientes. Eles precisam de tratamento, remédio e comida, mas também precisam de atenção, carinho e amparo. Por meio do CTO e do CCCA, já participamos de entregas de cestas básicas para as famílias, próteses mamárias, gorros, lenços e perucas. Muitas mulheres se sentem retraídas e sem vontade de sair de casa quando perdem os cabelos ou as mamas em decorrência do câncer. As próteses e as perucas fazem com que elas se sintam vivas de novo”.
Rachel ainda conta que já atendeu pessoas que foram seus alunos e também parentes de alguns deles. “Quando isso acontece, eles costumam me reconhecer e se sentem em casa. Trato as pessoas bem desde que era criança. Foi dessa forma que tratei meus alunos e hoje os encontro e sinto o carinho que ainda nutrem por mim. Sei que deixei um rastro de amor e, enquanto viver, quero continuar deixando”.

PAULA SANTOS
Araçatuba

 

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