Três Lagoas

TRÊS LAGOAS ESTÁ LIVRE DA FEBRE MACULOSA E MANTÉM MONITORAMENTO

Na contra mão de algumas cidades do estado de São Paulo, em que já foram registradas 17 mortes desde o início de 2018, o município de Três Lagoas (MS) está livre da presença por contaminação da febre maculosa, transmitida pela picada de carrapatos. O controle se deve especificamente na Lagoa Maior, principal cartão postal da cidade.

O local abriga aproximadamente 180 capivaras, que quinzenalmente são monitoradas por biólogos e técnicos ambientais da Vigilância Epidemiológica, Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agronegócio.

O último monitoramento da área foi registrado em junho deste ano. O trabalho acontece duas vezes ao ano e o próximo controle ocorrerá em dezembro.

A técnica de coleta de carrapatos é o “método de arraste” que consiste em uma ou mais flanelas brancas que fixadas em uma haste, permite a coleta de carrapatos que se fixam nos panos. No procedimento a equipe encontrou alguns carrapatos e após análise, o resultado foi negativo da febre maculosa.

O biólogo e fiscal ambiental do município, Flávio Fardin, assegurou que toda extensão da Lagoa Maior está imune do carrapato-estrela, principal transmissor da doença. “O controle de doenças e vetores na Lagoa Maior é constante. Nesse último procedimento, não foram encontrados carrapatos-estrela contaminados”, reforça.

Doença

A febre maculosa é uma doença considerada grave e sua transmissão é feita por meio de picadas de carrapatos-estrela.

A doença é uma infecção causada pela bactéria Rickettsia rickettsii e tem cura. Porém, o tratamento deve ser iniciado o quanto antes, com antibióticos, para evitar complicações graves como inflamação do cérebro, paralisia, convulsões, insuficiência respiratória e renal, que podem levar à morte.

Os sintomas são febre de início súbito de 2 a 14 dias após a picada infectante, dor de cabeça e nas articulações, calafrios e manchas vermelhas pelo corpo. Com a progressão da doença, podem ocorrer hemorragias e, caso o paciente não seja logo diagnosticado e tratado podem surgir necroses.

É importante destacar que nem toda picada de carrapato transmite esta doença, que ocorre mais frequentemente em regiões rurais, onde há cavalos e animais silvestres.

Dados do Ministério da Saúde mostram que a febre maculosa tem sido registrada em áreas rurais e urbanas de todas as regiões do Brasil. No entanto, a maior concentração de casos é verificada nas regiões Sudeste e Sul, onde ocorre de forma esporádica.

Transferência das capivaras

Em relação à retirada das capivaras da Lagoa Maior, o biólogo Flávio Fardin, destaca que não serão retirados os 180 roedores, mas apenas 120. Recentemente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA), autorizou a prefeitura municipal a retirar todos os jacarés da Lagoa e fazer o manejo das capivaras para locais fora da área urbana.

Atualmente foram contabilizados 12 jacarés do papo-amarelo, desses, três são adultos que medem mais 1,30m de altura. Os répteis serão levados para a reserva ambiental Cisalpina, implantada pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp), em Brasilândia (MS). Já as capivaras, parte delas, serão remanejadas para o Parque Natural Municipal do Pombo e a Reserva Biológica das Capivaras.

Ambas as áreas são do município, porém afastadas do perímetro urbano. “No caso das capivaras nós não obtivemos autorização ambiental do Ibama, mas apenas para os jacarés. Porém, nas próximas semanas o Ibama deverá entrar em contato conosco autorizando também o manejo delas”, destaca o biólogo.

Levantamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agronegócio, aponta a existência de 180 capivaras divididas em cinco grupos familiares. Conforme o biólogo, um ou dois grupos deverão permanecer no local. “Nós entendemos que as capivaras são um símbolo da Lagoa Maior, então, a proposta não é a retirada total dos animais, mas uma parcela. Os roedores que ficarão serão monitorados com o manejo reprodutivo que consiste na vasectomia dos machos dominantes do grupo. Ou seja, eles continuarão copulando com as fêmeas, porém não terá a geração de novos filhotes. Para se ter uma ideia, a fêmea tem duas crias por ano e é capaz de gerar até 3 filhotes. Por isso a importância desse manejo reprodutivo”, explica.

Força tarefa da Promotoria

Depois de defender de forma ferrenha a retirada dos jacarés e capivaras da Lagoa Maior, o promotor de justiça de meio ambiente de Três Lagoas, Antônio Carlos Garcia de Oliveira, resguarda que a medida visa controlar a quantidade de animais no local. Garcia também afirma que os jacarés não são originários da cidade e que é necessário leva-los ao seu habitat. “Num primeiro momento, esse processo diz respeito aos jacarés, nós ainda teremos que enfrentar o problema das capivaras, mas com relação aos jacarés, obtemos a sentença de retirada, acredito que nos próximos dias isso vai acontecer”, destaca.

Para o promotor, a retirada de todas as capivaras da Lagoa Maior se faz necessária, já que os animais são frequentemente flagrados passeando pela cidade em busca de alimentos, o que em alguns casos, já causou acidentes e mortes dos mesmos. Garcia também justifica a preservação dos riscos inerentes à população. “Na lagoa não havia essas espécies, esses animais simplesmente apareceram ali. A retirada total desses roedores é possível. Com a retirada delas, a Lagoa não ficará sem graça, pois com a retirada deles (jacarés e capivaras), outros animais habitarão ali, como bandos de pássaros e patos que também embelezam o local. Sabemos também que o grande hospedeiro do carrapato-estrela é a capivara e o risco de doença é muito grande”, justifica.

MARIANE MARTINS
Três Lagoas

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