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Gaeco desarticula quadrilha que fraudava obtenção de CNH na região

Os trabalhos começaram logo cedo. Às 4h30 da manhã de quarta-feira (26), as equipes da Força Tática, da Polícia Militar, e promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial ao Crime Organizado), chegaram à sede do Ministério Público de Araçatuba para dar início à operação “Cartas Compradas”, uma investigação de mais de seis meses contra uma organização criminosa que fraudava a obtenção e habilitação com a compra de aprovação na prova prática. Um instrutor de autoescola foi preso em Araçatuba e outros 11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos na cidade, em Birigui, Piacatu, Penápolis e Ribeirão Preto, no Centro-Oeste Paulista.

A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL acompanhou parte da operação na manhã de ontem. As equipes da Polícia Militar se dividiram em 47 homens. Os alvos eram instrutores de autoescola e examinadores credenciados no Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito). A operação só foi possível depois de uma denúncia anônima realizada no próprio departamento, conforme o órgão informou por meio de nota à imprensa.

“A investigação teve início a partir de denúncia recebida pelo Detran.SP, que orientou o denunciante a procurar o Ministério Público. A partir de então, tem auxiliado a Promotoria na investigação. O Detran.SP também iniciou os procedimentos internos para abrir processo administrativo”.

De acordo com o promotor criminal do Ministério Público, Flávio Hernandez José, no início, até ele não acreditou na proporção do esquema. “Era tudo tão cru, que até eu não cheguei a acreditar. Aí foram surgindo provas mais sólidas. Depois de 15 dias, eu fiquei surpreso com o volume do esquema. O examinado sequer entrava no carro”, disse em entrevista coletiva, ontem.

ESQUEMA

Durante a investigação foi apurada a cobrança e pagamento de valores em dinheiro para instrutores e examinadores credenciados ao Detran/Ciretran, estruturados em organização criminosa, em troca de aprovação na prova prática, muitas vezes sem a realização efetiva desta pelo examinando. A quantia cobrada variava, segundo a promotora do Gaeco Flávia de Lima e Marques. “O valor variava de R$ 600, R$ 1 mil até R$ 1,2 mil”, disse.

Ainda segundo os promotores, era levado em conta o perfil do examinado. “A face do cliente mostrava se era mais ou menos [cobrado pelos criminosos]. Teve até parcelamento da propina. Chegava em até três pagamentos”, contou o promotor criminal Flávio Hernandez José.

INTEGRANTES

Até o momento das investigações, o Gaeco identificou a participação de seis pessoas no esquema criminoso entre instrutores e examinadores. Cinco examinadores já foram suspensos do sistema digital do Detran-SP.

Em Araçatuba, o instrutor Emerson José de Lima, 43 anos, foi o único preso durante a operação. Na residência que ele mora foram apreendidos um celular e documentos. O MP pediu a prisão preventiva dele por corrupção ativa, já que oferecia a aprovação para os alunos. Fontes ouvidas pela reportagem confirmaram que o homem confessou em depoimento que ‘facilitava’ a aprovação dos alunos. A reportagem tentou entrar em contato com a defesa do investigado, mas não conseguiu até o fechamento desta edição.

A partir de agora, os investigadores irão analisar todas as evidências apreendidas para tentar identificar novos integrantes da quadrilha. A investigação corre sob sigilo.

Em Piacatu, município que fica a 53 quilômetros de Araçatuba, os policiais militares encontraram materiais ligados ao jogo do bicho na casa de um dos investigados. Os objetos foram levados para a sede do Ministério Público e o homem também irá responder pelo delito.

AUTOESCOLAS

As autoescolas não estão sendo investigadas, segundo o MP, porque o processo com elas era feito de forma legal, com controle de biometria. O suborno acontecia no momento do exame final. A ​Promotoria ​relatou, também, ​que todos os alunos que subornaram os instrutores e examinadores vão responder pelo crime de corrupção ativa, além de perder o direito de dirigir.​ Mais de 20 pessoas serão ouvidas nos próximos dias.

Para o Detran, é muito importante a denúncia quando algum tipo de caso como esse acontecer. “Examinadores investigados serão substituídos por servidores do departamento nos exames práticos, sem prejuízo para os candidatos. Ressaltamos a importância de os cidadãos não aceitarem vantagens e sempre denunciarem possíveis irregularidades. Ao ser abordado ou presenciar algo, o candidato deve comunicar a situação às autoridades ou ao próprio Detran.SP. Denúncias podem ser feitas à Ouvidoria pelo portal www.detran.sp.gov.br. O sigilo é garantido”, complementou a nota.

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