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Candidato leva só 13 votos onde tem atuação, mas conquista quase mil eleitores em Araçatuba

ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Durante a campanha eleitoral do primeiro turno, realizado no domingo passado, dificilmente, o eleitor de cidades da Região de Araçatuba deve ter ouvido falar em um candidato a deputado federal chamado Everaldo Mariano da Silva.
Pois bem, no município onde tem atuação política, Embu-Guaçu, Everaldo Camarotte, como é mais conhecido, obteve votação pífia. Mas, em Araçatuba, foi um dos 20 mais votados. O resultado pegou muita gente de surpresa.
Primeiro porque o postulante não é nenhum nome conhecido da política. Segundo porque não fez na campanha na cidade, informação esta confirmada por lideranças locais de seu partido político, o MDB.
Encerrada a votação, Camarotte obteve apenas 13 votos em Embu-Guaçu, cidade localizada na Região Metropolitana de São Paulo. Em Araçatuba, porém, ele conquistou a preferência de 822 eleitores – 47,8% do total que alcançou. O emedebista terminou a disputa eleitoral com 1.717 votos. A reportagem apurou que, para chegar a esse montante, em outras cidades da região, seu desempenho também foi melhor do que o registrado por ele em Embu-Guaçu. Em Birigui, Camarotte totalizou 23 votos; em Santo Antônio do Aracanguá, 24; e em Guararapes, 17.

RAZÕES
A reportagem de O LIBERAL REGIONAL tentou obter, ao longo desta semana, algumas explicações para o fato. Observadores da política regional acreditam que o episódio pode estar relacionado ao desconhecimento, por parte de alguns eleitores, sobre o modo de funcionamento da urna eletrônica e até mesmo das regras para a eleição deste ano.
Para deputado estadual, o eleitor devia digitar cinco números, enquanto para deputado federal, quatro. Camarotte, por sua vez, tinha um número de campanha bastante parecido com o do vereador araçatubense Cido Saraiva, que concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo também pelo MDB.
O número de Cido era 15588; o de Camarote, 1558. “O povo que votou ou que queria votar no Cido Saraiva para estadual pode ter gravado apenas um número e acabou votando nele (no Camarotte) também para federal, pois não conhecia outro número. E, no número do Camarotte, só tinha um oito a menos em relação ao número do Cido”, diz um assessor de campanha, que prefere não ser identificado. “Por outro lado, pode ser também que só tenham votado nele achando que era o Cido, mesmo com a foto aparecendo na urna.”
Cido foi o candidato a deputado estadual mais votado em Araçatuba. Só na cidade onde ocupa cadeira na Câmara, ele recebeu 31.190 dos 43.175 votos recebidos, no total. Terminou, assim, como segundo suplente do MDB, que não coligou com nenhum outro partido político.
A tese de desconhecimento da urna eletrônica nesse caso ganha força com informação passada à reportagem na última semana pelo chefe do cartório da 299ª Eleitoral de Araçatuba, Carlos Cotrim. Segundo ele, no dia da eleição, vários eleitores chegaram aos locais de votação sem saber como o aparelho funciona nem mesmo para quais candidatos deveriam votar neste ano.

Em gravação, emedebista pedia para que eleitor analisasse histórico de candidatos

E não foi por falta de orientação do próprio Camarotte que os eleitores podem ter votado errado. Em vídeo gravado durante a campanha, o emedebista pede para que os eleitores estudem os candidatos. “É preciso que o povo analise com cuidado seus candidatos. Analisem a vida deles, o que fizeram, o que fazem…”, diz ele, no vídeo.
Na mesma gravação, Camarotte dizia representar o distrito de Cipó, em Embu-Guaçu. Dentre os motivos que levaram à sua candidatura, Camarotte cita sua atuação junto à comunidade. Fala de uma doação de livros que fez para a construção de uma biblioteca comunitária e não foi levada adiante pelo poder público.
Critica ainda um vereador da cidade que, segundo ele, fechou uma rua para a comercialização de bebidas alcoólicas. Destaca um projeto social que tinha por objetivo oferecer cursos de capacitação a moradores de áreas carentes da cidade, mas teria sido embargado pela Prefeitura.
“Então, por que e para que ser candidato a deputado federal? Meu projeto é embargado o tempo todo e perseguido pelos poderes reacionários. Por que? Porque tem uma equipe da prefeitura que não permite que isso aqui cresça”, dispara. “Aqui, tudo é impedido, embargado… Temos vereadores que não representam ninguém, não representam nada… É uma vergonha que isso aconteça em pleno século 21”, disse ele, que, apesar da “expressiva” votação em Araçatuba, dizia lutar para que Embu-Guaçu se desenvolva.
O LIBERAL foi atrás do perfil de Camarotte para saber quem foi o candidato que “estourou” na região. Jovem, com 30 anos de idade, Camarotte é solteiro. Negro, nascido Nazaré da Mata (PE), possui o ensino médio completo. Sua ocupação profissional é barbeiro e cabeleireiro.

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