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Medo do escorpião faz sociedade recorrer a antigos hábitos

ANTÔNIO CRISPIM – ARAÇATUBA

Prefeitura estimulou a criação de galinhas em algumas escolas, principalmente onde há parque infantil e áreas com areia e grama. Trata-se de uma medida complementar a outras ações desenvolvidas, como campanhas de orientação e conscientização para manter os quintais limpos.
“Galinha para limpar o terreiro”. A frase era muito usada quando os quintais na área urbana das cidades eram grandes e a maioria tinha uma parte de terra, onde se cultivava árvores frutíferas e, não raro, uma pequena horta. Da mesma forma, na zona rural, os colonos mantinham galinhas próximas às residências. Além de alternativa alimentar (carne e ovo), a galinha tinha como missão literalmente limpar o terreiro. Ao ciscar em busca de alimento, as galinhas impediam que brotassem plantas indesejáveis e não deixavam proliferar insetos. Da mesma forma combatiam aranhas e escorpiões. Quando aprecia uma cobra, as galinhas davam o alerta. Se o réptil fosse pequeno, matavam.
Os desmatamentos e efetiva ação do homem causaram desequilíbrios na natureza e isso reflete no surgimento de determinados insetos em número superior ao tolerável. É preciso buscar o reequilíbrio por meio de ações pontuais.
Em Araçatuba este ano a média é de três acidentes com escorpião por dia. Até o dia 5 de outubro, último dado divulgado pela vigilância municipal, foram 816 casos notificados. Alguns destes casos com gravidade, sendo necessário internar o paciente e ministrar o soro antiescorpiônico. Em abril, uma criança morreu em decorrência de acidente com escorpião.
Diante desta realidade, várias ações foram desenvolvidas, como limpeza mais criteriosa de pátios das escolas para evitar acúmulo de material orgânico.
Sobre a criação de galinhas em escolas, a Prefeitura distribuiu uma nota. “A medida foi adotada em algumas unidades. Temos feito trabalhos preventivos de orientação e também com uso de predadores naturais. São ações que se complementam”, diz a nota.
Além das escolas públicas e particulares, residências e condomínios aderiram à iniciativa.
Outras pessoas também estão se espelhando na iniciativa. Na região do cruzamento da Avenida Joaquim Pompeu de Toledo com a Rua Tupinambás há galinhas e galos soltos na via pública. Não se sabe quem é o dono. Mas as aves perambulam pelo local e ajudam combater insetos.
A gerente de produção Rosalina Pavão, após encontrar escorpiões em seu quintal, onde há muitas plantas e flores, decidiu colocar uma galinha no local. Ela temia pela segurança dos dois bisnetos. Porém, galinha começou abrir buracos no quintal e destruir as plantas. O resultado não foi satisfatório.
A moradora Ana Aparecida Garrido Bazili, que reside em Araçatuba há 38 anos, defende a criação de galinhas para combater o escorpião. Ela lembrou que era uma prática normal no passado. Porém, com a proibição de criar animais na área urbana, aumentou a proliferação. Ela citou que já ficou galinhas em diversos pontos, até mesmo próximo ao cemitério da Saudade.

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