Indústria regional acumula 950 postos de trabalho gerados ao longo de 2018

Em nove meses, a indústria na região de Araçatuba acumulou 950 postos de trabalho gerados em 2018. O número consta na pesquisa Nível de Emprego na Indústria, da Ciesp (Confederação das Indústrias do Estado de São Paulo) e da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), divulgada ontem, referente ao mês de setembro. No ano, esse volume representa um acumulado de 1,79% em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com a pesquisa, a região (no estudo, composta por 34 municípios) aparece com a décima terceira maior variação acumulada. No total, foram pesquisadas 36 regiões administrativas do Estado.
A melhor variação é a da diretoria administrativa de Sertãozinho, com 7,43%. Em seguida, vêm as de Mogi das Cruzes, Araraquara, Taubaté, Indaiatuba, S. J. Rio Preto, São Carlos, Marília, Diadema, Presidente Prudente, Piracicaba, Sorocaba e Araçatuba.
Esse resultado é consequência da oscilação no desempenho mensal da manufatura regional em relação à abertura de postos de trabalho. O ano teve, até o momento, quatro meses que encerraram com variação positiva (março, abril, maio e julho). Em julho, por exemplo, Araçatuba foi a região de maior destaque em todo o Estado, terminando o mês na primeira posição em geração de empregos, com mil postos criados. Já em janeiro, fevereiro, junho, agosto e setembro, o saldo foi negativo. Assim, o acumulado anual e a posição ocupada pela região em relação às demais podem cair se não houver melhora nos indicadores dos meses restantes de 2018.

SETEMBRO
Setembro foi o segundo mês seguido de saldo negativo nas fábricas da região de Araçatuba. A variação ficou em -0,71%, o que significou queda de cerca de 400 postos de trabalho.
No nono mês do ano, o nível de emprego na indústria foi influenciado pelas variações negativas dos setores de artefatos de couro, calçados e artigos para viagem (-1,84%); confecção de artigos do vestuário e acessórios (-2,94%); coque, petróleo e biocombustíveis (-0,40%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-2,12%). Em percentuais, a variação do mês passado foi quase a mesma de setembro de 2017: -0,75%.
Apenas três setores apresentaram resultado positivo no último mês: o da indústria moveleira (0,90%) e de produtos diversos (1,14%) e alimentícios (0,05%).
Conforme os dados da Ciesp/Fiesp, setembro costuma ser um período marcado por oscilações nas variações de aberturas de empregos fabris. Se, em 2017 e 2018, o saldo foi negativo, em 2016, em plena recessão econômica, a variação foi positiva (0,32%). Na série histórica, 2007 foi o ano que teve o melhor mês de setembro: saldo de 1,50%.

12 MESES
Apesar de a pesquisa apontar saldo positivo anual, se a consulta do nível de emprego considerar o resultado dos últimos 12 meses, a confederação e a federação das indústrias apontam queda de cerca de 2.700 postos de trabalho – saldo de -4,82%, consequência das sucessivas variações negativas do segundo semestre de 2017.
Para o diretor regional do Ciesp, Samir Nakad, o atual cenário da indústria revela a dificuldade de a região repor demissões ocorridas no fim do ano passado. “E acredito que, a curto prazo, essa recuperação não vai vir por causa da tamanha incerteza que há no empresariado em relação às políticas para o setor vindas do próximo presidente”, avalia.

Resultado da região no último mês vai na contramão do Estado

O resultado na geração de empregos das fábricas regionais no mês passado caminha na contramão do registrado em todo o Estado. Em setembro, a indústria paulista gerou 500 postos de trabalho (variação de 0,01%).
Conforme a Ciesp/Fiesp, o resultado para o mês, na série sem ajuste sazonal, mostrou estabilidade no saldo de vagas pelo terceiro mês consecutivo. Apesar de ser pouco expressivo, esse número foi superior à média histórica para o mês entre os anos de 2014 e 2017, em que foram cortados, em média, cerca de nove mil empregos.
Porém, a exemplo da região, no acumulado do ano, o saldo do emprego na indústria do Estado segue positivo em 13,5 mil vagas, alta de 0,62%. Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, o segundo vice-presidente da federação e confederação das indústrias, José Ricardo Roriz Coelho, diz que a indefinição quanto à sucesso presidencial tem freado os investimentos em emprego.
“Os empresários não têm perspectivas de investimentos em razão da indefinição do quadro político, o que deixa o emprego em compasso de espera”, afirmou.
Avaliando ainda a atividade econômica, que segue sem grandes mudanças desde o início do ano, Roriz projeta para o encerramento de 2018 uma baixa de 35 mil postos de trabalho na indústria paulista.

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ARNON GOMES
Araçatuba

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