Três Lagoas

Grupo de haitianos participa do Programa Brasil Alfabetizado

Um grupo de haitianos de Três Lagoas participa desde o início do ano, junto com outros alunos três-lagoenses, do Programa Nacional de Alfabetização “Brasil Alfabetizado”, liderado pela professora, Fátima Moreira da Silva, de 49 anos. O programa conta com o apoio da Prefeitura e Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Semec).
Os encontros, realizados semanalmente no período noturno, na Escola Municipal “Joaquim Marques de Souza”, já coleciona inspiradoras histórias de superação como a do sociólogo haitiano Herode Azemar, 28, que com seis meses de curso, dos oito do programa, já fala, lê e escreve o nosso idioma.
É muito inspirador ver os alunos que não sabiam nem escrever o nome lendo frases inteiras e principalmente não sendo mais dependentes para irem ao banco ou ao supermercado. O Azemar chamou ainda mais a atenção, pois chegou em Três Lagoas três dias antes do curso iniciar e hoje já se comunica muito bem com o nosso idioma”, disse Fátima.
“Muitos trabalham em dois empregos e ainda vem para a escola, das 19h às 22h, para aprenderem a se comunicar. É emocionante ver o progresso de todos que, se não fosse por sua garra e determinação, não estariam colhendo os frutos que estão hoje.”, contou a professora que se formou em 1995 e decidiu dar aula esse ano vendo a situação constrangedora de uma das alunas e amiga haitiana Judete Chevalier, 34 anos, no hospital.
“Não nos conhecíamos na época, mas me sensibilizei por vê-la com dor e sozinha, sem saber se comunicar com os médicos e tendo que passar por procedimentos íntimos que não fazia ideia do que estava acontecendo. Eu mesmo, sem saber francês, comecei a tentar ajudá-la nas consultas médicas através de mímica”, relembrou Fátima com os olhos cheios de lágrima.

INÍCIO
Após fazer o curso em Campo Grande Fátima iniciou o programa convidando a amiga para participar e convidar outros haitianos que quisessem participar das aulas. Muito querida, os alunos elogiaram a professora como sendo muito paciente e amiga.
“Se não fosse ela eu não conseguiria falar e escrever português. Eu não sabia nada e era muito ruim”, disse a haitiana Gita Sylvain, 30 anos. “Vim para cá depois do meu marido e quando ainda estava na República Dominicana ele sempre tentava falar comigo em português e eu não entendia nada. Hoje já conseguimos conversar bastante em português e com as aulas fiquei até animada a ensinar idiomas para outras pessoas e ser enfermeira ou médica já que gosto muito de ajudar minhas amigas”, disse Jeimy Elizabete Peréz, 27 anos.

PROGRAMA
O MEC realiza, desde 2003, o Programa Brasil Alfabetizado (PBA), voltado para a alfabetização de jovens, adultos e idosos. O programa é uma porta de acesso à cidadania e o despertar do interesse pela elevação da escolaridade.
Com a ajuda de voluntários, Fátima ensina matemática e português aos haitianos, em especial, com dinâmicas do dia a dia como fazer compras na feira ou supermercado; simulando uma consulta médica ou entrevista de emprego.
Em uma das atividades em sala de aula, para identificar a diferença entre as palavras “pais” e “país”, Azemar emocionou a todos ao escrever uma carta para seu pai contando a vida no Brasil, relembrando a saudade de todos e o orgulho que tem de sua família. O haitiano termina a carta prometendo voltar para seu país de origem assim que tiver condições financeiras para realizar o sonho de montar seu próprio negócio.
“Eu estou aqui no Brasil mas acho que minha alma ficou aí no Haiti com você porque eu nunca te esqueci. Você é meu herói, um pai formidável. Quando eu tiver um filho eu lhe darei o seu nome como um sinal de gratidão e agradecimento”, diz parte da carta.
Emocionado, Azemar agradeceu pelos ensinamentos da professora Fátima e disse esperar que outros haitianos possam conhecê-la para que sejam ensinados como ele foi. “Se outros haitianos da Cidade estiverem com dificuldades, procurem a nossa professora Fátima que é muito atenciosa com todos”, finalizou.
Fátima deixa uma mensagem às professoras que se aposentaram e acreditam que não podem mais praticar a profissão. “É muito gratificante melhorar a vida de alguém. A educação tira uma pessoa da escuridão e tem muitas pessoas precisando de um professor para ser independentes e realizarem o sonho de conseguirem ir ao supermercado ou lerem a bíblia sozinhos”, disse.

DA REDAÇÃO
Três Lagoas

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