Vereadores aprovam pedido de cota para entidades assistenciais no ‘Bom Prato’

Quando foi inaugurado, há exatos quatro meses, o “Bom Prato” sucedeu, em Araçatuba, o Restaurante Popular. Com o serviço estadual no lugar do anterior, de responsabilidade federal, mais do que dobrou o número de refeições servidas. E, com isso, caiu por terra a prática de a refeição oferecida a R$ 1 ser destinada apenas a pessoas de baixa renda, mediante cadastro. Desde então, qualquer pessoa, seja rica ou pobre, pode tomar café da manhã e almoçar no local. No entanto, da Câmara Municipal, acaba de vir proposta que sugere mudança nessa política. Na sessão ocorrida na última segunda-feira, os parlamentares aprovaram indicação do vereador Gilberto Batata Mantovani (PR) que sugere ao Executivo a adoção de cotas diárias para entidades assistenciais no espaço.
A sugestão do parlamentar do Partido da República é que 20% das refeições tenham suas preferências de compra para as instituições beneficentes. O objetivo, segundo ele, é amenizar as dificuldades financeiras, problema recorrente a quase todas que prestam este tipo de serviço na cidade. Como regra para ganhar o benefício, Batata sugere que sejam privilegiadas as entidades cadastradas no Comas (Conselho Municipal de Assistência Social).
“É sabido que as entidades sociais do município vivem em dificuldades financeiras para manter suas atividades, sendo necessária a realização de diversos eventos para cumprir seus compromissos”, argumenta o representante do Legislativo, no documento. Ontem, em entrevista ao jornal O LIBERAL REGIONAL, o parlamentar reforçou seu entendimento. “Tenho certeza que 99% das entidades locais estão no vermelho. Os recursos são muito poucos. Por isso, acredito que essa medida seria muito benéfica para atenderem com dignidade seus assistidos”, afirmou Batata.
Hoje, segundo a Prefeitura, 14 projetos estão cadastrados no Comas. Todos recebem, por mês, recursos oriundos de repasses do município e do Estado. Até o fim do ano, juntos, eles terão recebido R$ 2.153.415,02 – veja o montante a ser repassado para cada instituição no quadro ao lado. O dinheiro é usado para cobrir diferentes despesas e custeio, mediante prestação de contas.

PELAS REGRAS
O pedido do vereador ainda será analisado pelo prefeito Dilador Borges (PSDB). Procurada pela reportagem para comentar a indicação de Batata, a secretária municipal de Assistência Social, Maria Cristina Domingues, explicou que todas as regras do “Bom Prato” são regulamentadas pelo Estado. Ou seja, não cabe ao município realizar alterações. Segundo ela, a determinação para o restaurante atender todas as pessoas faz parte do programa de Segurança Alimentar. “Lá, podem se alimentar quem tem e quem não tem”, enfatizou.
Ela ressaltou que o dinheiro liberado às entidades é destinado para contribuir com tudo o que precisam. No entanto, esclareceu que, justamente pelo fato de o “Bom Prato” atender a todos, nada impede uma instituição de levar, diariamente, seus assistidos para fazer suas refeições no local.

Por dia, são servidas 1,2 mil refeições

Com o ‘Bom Prato’, o número de refeições a preço popular subiu de 200 para 1,2 mil. Todo dia, garante a secretária municipal de Assistência Social, Maria Cristina Domingues, esse teto é atingido. “Nunca sobra”, afirma ela. A titular da pasta ressalta que, desde o sétimo dia de funcionamento, a meta diária vem sendo alcançada.
Maria Cristina pondera que o único dia que, muitas vezes, não dá para atender a todos é quarta-feira, quando é servida feijoada também a R$ 1. O almoço, em geral, é composto por arroz, feijão, uma salada, um tipo de carne, pãozinho, um copo de suco e uma sobremesa (doce ou fruta).
No “Bom Prato”, também é oferecido café da manhã, ao custo de R$ 0,50. Para a primeira refeição do dia, a meta é servir até 300 cafés. Crianças até seis anos têm a refeição gratuita. O atendimento é de segunda a sexta-feira.
O restaurante resultou de investimento do Estado no valor de R$ 1,2 milhão. Desse total, mais de R$ 242 mil foram para a implantação e R$ 977,4 mil para o custeio de refeições em 12 meses. A Prefeitura desembolsou R$ 273,6 mil para custear as refeições no período.

ARNON GOMES
Araçatuba

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