Cidades

Programa de concessão do governo federal pode tirar ferrovia do papel

O governo do presidente Jair Bolsonaro já anunciou que pretende privatizar aeroportos, rodovias e ferrovias. A região acompanha de perto o leilão de trecho da ferrovia Norte-Sul, pois isso poderá viabilizar o ramal entre Estrela D’Oeste e Dourados, rumo ao pantanal. Além disso, o investimento no setor pode estimular investimentos em outras ferrovias, como a que passa na região noroeste, que é subutilizada.
“Finalmente a Norte-Sul irá para a iniciativa privada”, afirmou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. O trecho cuja concessão será leiloada tem 1.537 km e vai de Porto Nacional (TO) a Estrela d’ Oeste (SP). Na avaliação do ministro, o início da operação da ferrovia vai evitar a depreciação do ativo. Hoje extenso trecho da ferrovia está quase pronto, mas sem condições de operar. Em São Simão, há uma ponte inacabada. Imagem do descaso com o dinheiro público e falta de planejamento.
A via foi construída com cerca de R$ 5 bilhões em recursos públicos. Mas não foi concluída. A conclusão ficará a cargo do concessionário que, para explorar a linha por 30 anos, precisará oferecer pelo menos R$ 1,3 bilhão em taxas de outorga. Os investimentos estimados nas próximas três décadas são de R$ 2,8 bilhões na linha. Em vagões e locomotivas, serão mais R$ 2,4 bilhões. Fora a outorga, o concessionário deverá investir mais R$ 5,2 bilhões.
A conclisão desta obra é importante porque pode estimular novos investimentos no setor, como a coinstrução do trecho ferroviário compreendido entre Estrela D’Oeste/SP – Dourados/MS. Este projeto integra o Programa de Investimentos em Logística do Governo Federal. O trecho também deve ser concedido à iníciativa privada. Em um dos projetos, os trilhos saem de Estrela D’Oeste, passa por Guzolândia, Pereira Barreto, Itapura, Castilho e Pauliceia (em São Paulo), atravessa o Rio Paraná e vai ate Dourados (MS).
Estes dois trechos são importantes porque atendem regiões produtoras. Além disso, o governo Bolsonaro quer ainda enviar ao Tribunal de Contas da União estudos para concessão da Ferrogrão, ligando Sinop (MT) a Miritituba (PA) e concluir o relatório da audiência pública da concessão da Ferrovia de Integração Oeste-leste (Fiol), na Bahia. Ou seja, o governo e a iniciativa privada estão voltando os olhos para a ferrovia.

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NA CONTRAMÃO
Enquanto o governo federal vislumbra investimentos na ferrovia, na região, empresas deixam de usar os trilhos. O custo não compensa. No entanto, para estender a concessão à Rumo por mais 30 anos, o governo federal exigiu investimentos da ordem de R$ 4,7 bilhões. O prefeito de Araçatuba, Dilador Borges já se movimentou atrair parte deste investimento para o trecho entre Três Lagoas e Bauru.
Atualmente, empresas exportadoras de Três Lagoas usam mais o modal rodoviário. Explicam que a ferrovia e a hidrovia não compensam.

DA REDAÇÃO
Araçatuba

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