Araçatuba

Centro Ferroviário ganha projeto para funcionar como espaço de cultura e lazer

Uma grande praça coberta, onde as pessoas podem passear, ver exposição, tomar café e assistir a uma apresentação artística. E ainda: receber feiras e festivais. Assim poderá ficar o Centro Cultural Ferroviário, em Araçatuba. O projeto arquitetônico preliminar para o único bem pertencente ao município tombado como patrimônio foi apresentado ontem, no Paço Municipal. A ideia é que a antiga oficina de locomotivas localizada na região central seja um misto de espaço destinado à cultura e ao lazer, mas mantendo sua essência na construção.
O novo desenho do local foi planejado pelo Instituto Terra – entidade sem fins lucrativos de São Paulo que atua no ramo da restauração, contratada pela Prefeitura – após a realização de consulta pública sobre a revitalização do imóvel, ocorrida em agosto. Na oportunidade, a população apresentou sugestões sobre uso e ocupação do espaço.
De acordo com o gerente de projetos do Instituto Terra, Henrique Lukas, a exibição da proposta, ontem, teve o objetivo de alinhar o que pode ser feito sob o ponto de vista técnico com o anseio da comunidade. “Temos uma confluência de demandas a alinhar e, com o projeto preliminar, dá para prever um cronograma”, avalia.
Após a apresentação dessa terça-feira, o projeto será concluído. Ele destacou que, no plano de revitalização, constam a abertura de salas destinadas a oficinas culturais, espaços multiuso de modo que contemplem diferentes modalidades artísticas e um auditório. “Pensamos tudo de uma forma que não desqualifique o prédio. Isso porque temos a demanda da comunidade e as obrigações em relação ao edifício tombado. Então, temos que alinhar as diferentes expectativas”, ponderou Lukas. “O centro cultural tem um papel na cidade, não apenas para se consumir cultura, como ir a uma peça ou a uma exposição, mas onde se processa cultura também.”
Ele explicou que, agora, o próximo passo será mandar um anteprojeto para o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), órgão responsável por proteger e preservar bens móveis e imóveis do patrimônio histórico, arqueológico, artístico, turístico, cultural e ambiental do Estado. “Essa aprovação é necessária e faz parte do processo. Não é um projeto só arquitetônico. É um projeto de tombação desse edifício. É muito diferente do que começar do zero”, sustentou. Com a aprovação do conselho, destacou, será possível desenvolver algumas ações complementares e o projeto executivo, que inclui o orçamento.

PRAZOS
Lukas acredita que, até meados do próximo ano, essa aprovação virá. A recuperação do centro ferroviário não terá investimento direto do município. O Instituto Pedra já teve seu projeto aprovado pelo Proac (Programa de Ação Cultural) da Secretaria de Estado da Cultura, que utiliza dinheiro do Estado através do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Foi aprovado o valor de R$ 499.487,24 para início da captação de verba.
Pela parceria, o instituto elabora o projeto e o realiza de forma efetiva, captando recursos de ICMS nas empresas. Na primeira fase, o recurso foi captado pelo instituto junto à Havan. Os patrocinadores poderão, depois, descontar o valor desse investimento do ICMS devido. O papel da Prefeitura é oferecer a logística para a realização do projeto.

Plano foca melhorias estruturais

Arquiteta do Instituto Pedra, Laura De Stefani Bacicurinski fez a apresentação técnica do projeto arquitetônico.
Durante sua explanação, ela destacou alguns serviços necessários para melhorar a infraestrutura. O imóvel foi interditado pela administração municipal em 2009, então sob o governo de Cido Sério (PRB). Na época, temia-se o desabamento da construção.
Laura citou o desgaste da pintura em decorrência de umidade e falta de sistema de drenagem adequado, o que, agora, deverá ser implantado. Além de propor a implantação desse sistema, ela também colocou como sugestões a adoção de portas de correr e a recuperação da cobertura do imóvel. Com esta, entre outras ações, o espaço ficará mais fluido, preparado para o recebimento de feiras e exposições, conforme prevê o projeto.
Erguido na década de 1920, o prédio do Centro Cultural Ferroviário abrigou, no passado, a oficina da NOB (Estrada de Ferro Noroeste do Brasil). Em 1992, o imóvel foi tombado como patrimônio histórico e cultural pelo município.

ARNON GOMES
Araçatuba

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